| Comentário da lição 2009-09-19 |
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| Escrito por Moises Sanches |
| Sex, 18 de Setembro de 2009 17:53 |
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Olá pessoal, Passadas aquelas bobagens de "é uma honra ter sido convidado... etc...etc..." vamos ao que interessa. Escrever um comentário de lição de Escola Sabatina é uma aventura das mais radicais. Primeiro, por que transformar idéias em texto e correr o risco de publicá-las é dar a cara pra bater pois cada sujeito criado por Deus recebeu a dotação da liberdade, e, como dizia um professor meu, onde houverem 2 acadêmicos juntos, haverá 3 opiniões. Segundo, por que iniciar um comentário com a lição já no finalzinho, é mais complicado ainda, pois tudo que se escrever parecerá repetitivo, ou então carecerá de contexto para apontar ligações com estudos anteriores. Terceiro, por que você tem que escolher um formato, começar o texto, e não tem a oportunidade da discussão, da dialética, da correção on line e on time. Portanto, quero estabelecer alguns pressupostos: 1. Este será apenas um comentário reflexivo sobre pontos que me chamaram a atenção na lição. 2. Minha única pretensão é provocar a mente do leitor à olhar diferente, mudar a direção da câmera a fim de que se veja o assunto por mais de uma posição. 3. Este não é um comentário final do texto, mas um convite a pensar. 4. O ponto de partida deste comentário será sempre o que percorre o caminho doutrinário e teológico da IASD, e, se porventura alguma afirmação pecar pelo viés da ambigüidade ou laconicidade, gerando dúvidas em relação a alguma doutrina ou pensamento consolidado na Teologia Adventista, peço a gentileza de: em primeiro lugar, perdoar o autor por possíveis falhas textuais, e, em segundo lugar, mandar um comunicado apontando a falha e solicitando a correção. Lembre-se, eu não acho que haverão equívocos ao longo das abordagens, TENHO CERTEZA !! Mas também estou convicto de que só não erra quem não faz. Oppss... Essa afirmação é por si só equivocada, pois quem não faz, provavelmente já errou por omissão... Bom.. chega de devaneios, vamos à lição. Assim como na lição da semana passada, o autor sugere um título geral para o estudo desta semana - A carta de João para a Senhora Eleita. Sobre a carta, público e estrutura, não vou tecer comentários pois autor já o fez na introdução. Seus objetivos para esta semana: Saber - Deus nos ordena andar tanto na verdade como no amor, e, uma vez conhecedores deste binômio, o sentimento resultante deveria ser - alegria proveniente de andar no amor e na verdade, e tal sentimento, aliado ao conhecimento, precisa implicar uma prática - Guardar distância da falsidade e da heresia. Ao estabelecer o Binômio Verdade e Amor, João recupera o equilíbrio da sã doutrina, e por que não, da vida do cristão. A Bíblia na descrição de seu Grande Autor, recorre diversas vezes a binômios como demonstração de que na propulsão da execução de tarefas importantes residem forças necessárias para abarcar a totalidade dos aspectos da necessidade humana frente ao problema causado por Satanás: Justiça e Misericórdia, Mansidão e Ira, Condenação e Perdão, Salvação e perdição, Bem e Mal, etc.. De alguma forma, que reside no mistério do pecado, abriu-se uma dialética que quebra o plano original de Deus, que residia na unicidade de direção e propósito para todo o universo. Porém, todos os elementos duais que listei acima, são contingenciais, ou seja, presentes no Mundo do Pecado, e encerram por ocasião da extinção do Mal. Esse paradigma cristão de contingência é o grande diferencial entre o equilíbrio proposto pelas filosofias orientais e a forma bíblica de ver a questão do equilíbrio. Por essa razão, os termos amor e verdade se constituem em um Binômio diferente dos demais. Amor e Verdade se constituem no Binômio Eterno. Existiam antes da criação, e ultrapassarão as portas da Redenção para o Mundo da Eternidade. O que estou pontuando é que estes dois elementos se constituem em a Natureza de Deus, sua essência, seu ser. Enquanto a Bíblia apresenta um Deus que exerce Justiça ou misericórdia na tratativa do pecador, a mesma Bíblia evidencia que Deus é amor, e igualmente é a verdade. O que isto tem que ver conosco? Se nosso objetivo é a restauração da semelhança com o Criador, necessário se faz que pela graça sejamos transformados em Amor e Verdade. Guardadas as proporções do aspecto humano dessa afirmação, a oposição destes dois termos me parece demonstrar a forma como a vida do cristão representa ao mundo esses dois aspectos. Ou seja, não basta conhecer a Verdade e possuí-la (A Pessoa de Cristo) sem que se aceite em sua carona o amor. Verdade sem amor seria tirania, soberba, autoridade fria e desprovida de afeição. Igualmente, o amor que não possua embutido em si mesmo o Verdadeiro, não passa de um arremedo de amor, uma farsa, egoísmo e licenciosidade. Nessa medida João resgata de forma resumida todos os temas já apresentados na carta anterior. Particularmente achei fantástica a colocação do autor nos objetivos da lição da semana passada. O cristão autêntico CRÊ que Jesus é o Filho de Deus. Por que crê, faz o que ele manda (guarda os mandamentos - VERDADE) e a coisa única do seu mandado é AMAR. O problema é que ao tentarmos fazê-lo, nos deparamos invariavelmente com outro Binômio, não o de João, mas o de Paulo em Romanos 7:14-24 - O que quero fazer não consigo, mas o que não quero, isso sim pratico,... Miserável homem que sou... Para suprir essa defasagem, nos vemos frente a frente com o Deus da Graça, sentindo que esta é mais que suficiente para nos salvar de todo o pecado.(Romanos 7:25) Isso resulta uma prática, a de que imbuídos desse senso de justificação e santificação em Jesus, partimos para a prática - apresentar ao mundo um quadro vivo do que Deus deseja que sejamos. William Barclay sugere que somente ao nos depararmos com a Verdade do cristianismo é que descobrimos duas coisas a respeito do amor, como devemos amar de verdade (amor desinteressado, que busca o melhor dos outros, que tudo aceita e suporta), e por que temos a obrigação de amar (Ele nos amou primeiro). Nessa dimensão podemos entender o espírito correto da observância dos mandamentos - Amor a Deus sobre todas as coisas (expresso na lei pelos 4 primeiros mandamentos) e amor ao próximo como a nós mesmos (como nos últimos 6 mandamentos da Lei). A partir do verso 7, João retoma a questão de época dos falseadores da são doutrina. O que me chama a atenção nesse particular é o escopo da falsidade. Se o que está em discussão é o Amor e a Verdade, ambos como representação pessoal e não teórica, a saber, o próprio Cristo (a Verdade e o Amor), a falsidade e/ou anticristo é o falseamento da Verdade e do Amor. Curiosamente, tais anticristos parecem estar muito mais presentes dentro do povo de Deus (num primeiro estágio) do que fora dele (segundo estágio - apostasia e dissidência). Se é assim, a contemporaneidade do termo - ULTRAPASSAR A DOUTRINA - faz muito sentido. Os que são apressados, passam pela verdade e a vem desfocada pela turbulência da velocidade, posto que os que pensam conhecer plenamente o caminho, acabam por ser surpreendidos pelos desvios e buracos que constantemente se abrem na estrada. Em ambos os casos, a prevenção reside no estudo humilde, profundo, atento, e não raras vezes recorrente e lento dessa Grande e Maravilhosa Verdade. Diferente disso, como sugere o original grego proagon (ir adiante, ir a frente) não é incomum ver que aqueles que extraviam ou ultrapassam a verdade, se projetarem sobre os demais como sendo progressistas (descobridores de nova luz) ou até como reformadores e resgatadores de verdades perdidas. Como falsear o amor e a verdade? Por sugestão histórica, criando um Cristo que não corresponde ao Binômio em questão. Ex.: A. Um Cristo tão bonzinho que não tenha qualquer mandamento que careça de observação, um amor frouxo e desprovido de Verdade (Graça barata de uma salvação sem compromissos, que não transforma a prática do cristão). B. Uma Verdade tão dura e arbitrária, desprovida da percepção de um Deus que tem Graça e Misericórdia, que produz juízes e árbitros dos outros em lugar de discípulos do Amor (Legalismo, Tirania ou santidade exterior). Me assusta como pequenos desvios, intencionais ou acidentais, na compreensão da pessoa e natureza de Cristo possam terminar em um dos dois pontos acima. Pr. José C. Ramos nesse ponto, resgata em seu comentário uma advertência solene: "nesse sentido que Jesus afirmou que 'todos quantos vieram antes de Mim [isto é, colocaram-se à Minha frente, ultrapassaram-Me, antepuseram-se a Mim, suplantaram-Me] são ladrões e salteadores' (Jo 10:8). Essa é uma denúncia por demais vigorosa, enérgica, inexorável, intimativa; mas poderia Jesus ser mais brando? Pode haver uma obra mais diabólica que furtar do reino de Deus um precioso ser?" Qual o resultado prático do amor genuíno? Os versos 10 e 11 se apresentam como uma aparente contradição - Deveria o amor rechaçar o visitante? Esse texto deveria ser compreendido à luz dos versos 7-9, ou seja, a forma de bloquear a expansão da falsidade é não contemporizar com ela. Não recebendo aos falsos mestres e nem lhes dando crédito, sua pseudo verdade se desfará pela falta de adeptos. Outrossim, se insistimos na direção do embate, atribuímos sobre ela a luz de que tanto anseiam. Nesse ponto me parece grandiosa atitude de João. Em lugar de combater o mal, dedica-se a aprender, exaltar e executar o bem. Essa parece a forma de atuação da verdade com Amor, ou do Amor com a Verdade, onde houver luz, as trevas se dissipam. Por essa razão, não se recebem na casa as trevas pois, presume João, que na casa dos eleitos mora a Luz. (vide Jo. 1:1-12) C.H.Dodd levanta sobre essa atitude um problema para reflexão: Qual o ponto de equilíbrio oriundo do amor que tolera opiniões diferentes em seu meio, e da verdade que expulsa as trevas a divergência e falsidade? "O problema é achar uma maneira de viver com aqueles cujas convicções são diferentes das nossas com respeito as questões mais importantes, sem quebrantar a caridade (Amor) nem ser infiéis à Verdade". Penso a regra bíblica do tratamento do erro me parece uma saída equilibrada ao dilema: vai com ele só... leva mais um ou dois contigo ... leva à igreja... a partir de então, não anuindo à verdade, bate as sandálias dos pés, retira o pó e segue o caminho. Como o próprio C.H.Dodd ressalta, situações de emergência não costumam prover regras boas, por isso são emergenciais. Esta discussão dos versos 10 e 11 parecem ser um bom exemplo de uma regra emergencial, desagradável e ao mesmo tempo, necessária (contingência de um mundo mal). Sobre o final da carta, o bonito é descobrir na prática por que João é o amado ou o discípulo do amor. A expressão esperançosa de ver seus irmãos pessoalmente, o anseio de falar com eles pessoalmente, a referência de que tem muita coisa pra dizer, somada ao zênite da Alegria Completa demonstram o espírito e a prática do cristianismo genuíno. E não somente isso, mas atestam o conhecimento e afeição que o último Pastor do primeiro século mantinha por suas ovelhas a quem chama carinhosamente de "A Senhora Eleita". Que a graça de Deus permita que tenhamos o mesmo desejo de viver tal amor e tal verdade, cumprindo a ordem de Cristo, mostrando ao mundo de quem somos discípulos pela nutrição do genuíno amor. Artigos Relacionados: |

